O pediatra é a figura central da vida de quem tem filhos recém-nascidos.
Milhares de dúvidas, respondidas prontamente por este guro moderno. E quase sempre da mesma forma: "é normal".
Ou seja, tudo aquilo que gera palpitações, pesadelos e brigas entre mãe-desesperada-e-pai-que-acha-tudo-frescura é normal.
O problema é que entre eles mesmos, os pediatras, há muitas diferenças. É difícil que dois pediatras dêem exatamente as mesmas instruções para resolver um mesmo problema.
Por isso considerei que a melhor dica recebida no período pré-paternidade foi do amigo KK: "escolha seu pediatra e siga apenas o que ele disser". Ou seja, nada de ouvir o amigo, o primo ou o dr. Google. Geralmente fazemos isso quando não concordamos com a orientação, mas temos vergonha de confrontá-la.
Pelo menos, até agora, estamos em paz com o nosso. Mas o dia da dúvida vai chegar.
Quando somos bebês, nossos pais nos incentivam a arrotar depois de comer (mamar), comemoram nossos cocôs e xixis e até quando soltamos gases.
O alívio é sempre celebrado.
Aí crescemos e somos profundamente reprimidos. Arroto vira falta de educação. Soltar gases em público, vergonha. Cocô tem gente que só faz de luz apagada. Xixi é o único socialmente aceitável para momentos de aperto. Mas homem ainda faz em qualquer lugar.
Reza a lenda que minha mãe me colocou na escola com 2 anos de idade para eu parar de ver televisão. Fato é que acabei trabalhando em duas emissoras em SP.
Gosto muito de ver televisão. É vício mesmo. Mas até que eu via muito pouco até ter um nenê de poucos dias em casa. Acabei voltando a ver bastante TV, principalmente aos finais de semana.
Descobri uma porção de programas interessantes que não conhecia. E descobri que TV aberta durante a semana, principalmente do meio para o fim da tarde, é o horror total. Mundo cão comendo solto, tudo sendo nivelado bem por baixo. No horário nobre, melhora, mas não muito. A TV fechada tem mais opções, mas se pensarmos bem, não vale o que custa.
Pelo jeito, só a Internet salva. Dá-lhe Rapidshare...
Quem sabe as grandes produtoras de conteúdo acordem para esta força, que tem escala para permitir a milhões a compra de programas, seriados, filmes e etc a preços baixos. Que cada um faça a sua programação. Só quem é bom de verdade sobrevive. Mas isso inclui mudar a divisão de forças entre conglomerados de comunicação. E esse povo não gosta muito de mudar.
Rapidinho, rapidinho, o herdeiro já tem três semanas de vida. Já dá para perceber que vai ser intenso, e rápido. Por isso todo mundo recomenda curtir cada momento. Quando você vai ver, já foi.
Licença-paternidade terminada, de volta ao batente.
Quando saí, havia sido encontrada a aparente solução à maior sucessão de problemas que eu já vivi em minha carreira. O único alívio é a certeza de que minha culpa é quase zero, e também havia pouco a fazer a não ser reclamar.
Voltei imaginando encontrar calmaria, mas que nada. Caos total parece ter passado, mas a turbulência ainda é forte. Mas a sensação de impotência incomoda demais.
Fraldas descartáveis são incrivelmente despadronizadas. Cada marca segue uma regra para definir seus tamanhos e mesmo acompanhando uma só marca, você corre o risco de ver seu bebê sem opção de tamanho em determinados períodos do desenvolvimento.
Além de um tamanho de uma marca ser totalmente diferente do mesmo tamanho de outra marca, ainda temos situações bizarras numa mesma linha, como um tal de P até "x" quilos e P até "Y" quilos e meio. Resultado: fraldas frouxas ou apertadas, nenê vazando tudo na roupinha.
E aí cada uma tem um tipo de gel absorvente, cada uma se encaixa melhor com cada bebê, devido ao formato do corpo e intensidade do trabalho do "aparelho excretor".
Por enqüanto, do alto dos nossos 8 dias de experiência com 4 marcas diferentes (Pampers, Turma da Mônica, Pom Pom e Johnson's), Pampers lidera com folga.
A maternidade é só alegria. Enfermeiras levam e trazem os pequeninos ao quartos para as mamadas, o trocam por você, dão banho por você.
Se desejar, há como acompanhar pela janela blindada do berçário. Aliás, o trabalho de enfermeira de berçário é um big brother da vida real, todo mundo observando cada mínimo passo. Um show de verdade. Todo mundo lá, sorridente vendo a criança dormir, tomar banho (o que parece muito fácil tamanha a prática das enfermeiras).
Mas existe um detalhe para o qual não damos atenção: a janela do berçário é daquelas que não deixam vazar ruídos, ou seja, mesmo quando vemos um neném se esgoelando, nada escutamos. Aí voltamos pra casa e descobrimos o quanto os recém-nascidos choram ao serem trocados e na hora do banho.
Essa história de ter filho tem me provocado um incessante resgate do passado, da minha infância, talvez tentando lembrar o máximo de situações vividas para saber o que fazer quando eu tiver de ajudar uma criança a tomar as próprias decisões.
É incrível como nosso cérebro é seletivo. Só as boas memórias permanecem. O que é ruim parece cair num processador que destrói ou ao menos ameniza as más sensações. Inteligente, nosso cérebro.
Tem sido muito gostoso lembrar de tantas coisas ocorridas no final da década de 70 e início da de 80. O tempo vai levando a inocência embora e ficamos cada vez mais exigentes. Um palito premiado de picolé Kibon já não muda nosso humor. Nem um ioiô da Coca-Cola. O que dizer de um figurinha de Futebol Cards?
Só a chegada do rebento faz isso tudo ter um valor imensurável e começamos a correr para lembrar e reviver tudo o que se passou na esperança de saber o que fazer quando o primeiro dia do resto das nossas vidas começar. Do jeito que as coisas vão, o meu começa sexta que vem.
Vou lembrar do dia em que comecei a andar de bicicleta sem rodinha e já volto.
O famoso autor de "O Código da Vinci" pode não ser um gênio da literatura, mas soube criar um estilo que prende a atenção, por ser fácil de ler, acessível a qualquer pessoa e ter um ótimo ritmo, com capítulos curtos e histórias que se desenvolvem em paralelo, fazendo com que não se consiga parar de ler. Parabéns para ele.
O problema é que ele também criou uma espécie de template para desenvolver suas histórias. É sempre a mesma coisa. Por isso, me arrisco a adivinhar como será seu novo livro, O Símbolo Perdido, a ser lançado em uma semana e já recordista em pré-venda na Amazon.com: começará com um crime em que o autor deixará marcas indecifráveis à primeira vista, mas facilmente reconhecíveis por um conhecedor de sociedades secretas históricas (a presença de Robert Langdon, o protagonista dos maiores sucessos dele já me ajudam na aposta) que será convidado a investigar paralelamente aos meios oficiais, tendo uma beldade inteligente qualquer ao seu lado e a concorrência dos investigadores oficiais que, entre eles, terá alguém relacionado ao crime/criminoso. Algum dos personagens próximos ao morto também estará envolvido na trama, que terminará de forma rocambolesca num grand finale eletrizante.
Fazia tempo que isso não acontecia, mas hoje, por causa da forte chuva que caiu em São Paulo pela manhã, demorei duas horas e meia para chegar ao trabalho. Sim, 2h30. Trânsito infernal, caminhos alternativos não funcionaram. O trânsito deu um nó, literalmente. Quando isso acontece, os motoristas acabam se atrapalhando. Ninguém pensa em melhorar a fluidez do tráfego, mas em tentar qualquer forma de se adiantar ao carro vizinho.
Mas o interessante foi passar por diversos cruzamentos normalmente bem vigiados pelos profissionais da Cia. de Engenharia de Tráfego e notar que não havia ninguém tentando organizar a bagunça. Será que estavam no trânsito? Será que são realmente de açúcar, derretem quando chove? Aí me lembro dos antigos projetos de semáforos inteligentes, até hoje no papel, e que poderiam ter ajudado a melhorar um pouco a situação de hoje. Também é evidente o mau planejamento de nossa enorme malha viária, com diversas conversões que exigem embaralhar o fluxo.
Aí me lembro de que a prefeitura diminuiu o gasto com limeza urbana e o lixo está bem aparente. Com o aguaceiro que caiu, muita coisa deve ter ido parar em bueiros, galerias subterrâneas, córregos, rios... Coincidência ou não, os rios Pinheiros e Tietê transbordaram. E olha que a calha do Tietê foi bastante rebaixada nos últimos anos.
E que pensar de estarmos em 2009 e, mesmo sabendo que a chuva está aí desde os primórdios, por que nada funciona direito quando chove? Mistééééério.
Agora quero ver a volta. O dia já virou noite duas vezes hoje, não estou com vontade de ficar preso dentro do carro de novo.
Por causa do trabalho tenho tido a excelente oportunidade de acompanhar "de dentro" a incessante troca de informações entre internautas. Vejo tanta coisa num dia que quando chega a noite, aquilo que vi pela manhã parece velho, velho.
A real é que hoje até que foi um dia meio fraco em virais e polêmicas, mas uma repórter norte-americana do site TechCrunch resolveu reclamar de não obter o visto para o Brasil e escreveu um artigo que gerou, claro, centenas de comentários, muitos deles já apagados, a xingando. Vale ler e dar boas risadas: Why TechCrunch Is Not Coming to Brazil After All
Brasileiro adora detonar quem fala mal do país, principalmente norte-americanos. Neste caso, a repórter foi um pouco exagerada, pois se atrasou para pedir o visto e depois contou com a grande capacidade de nossos serviços públicos não funcionarem direito. Os comentários que sobraram até que está equilibrados, e é incrível como muitos estrangeiros não aprovam o artigo, que tem alguns toques preconceituosos, mas nada demais. Apenas um artigo mal escrito de alguém frustrado. Deve ter mais repercussão nesta sexta-feira. No Twitter, bombou.
Vou tentar fazer um resumão deste num dia mais movimentado para ver o que sai. Hora de ir pra caminha.
Update: eu tinha deixado passar este: People of Walmart, um site com imagens dos mais pitorescos clientes do famoso supermercado norte-americano. Vale muito a visita.
Além da relevância demasiada da informação que circula nas redes, comentada no post anterior, outra faceta interessante é a possibilidade de interação direta do público com seus ídolos.
Um exemplo triste desta possibilidade é o caso de Xuxa estourando com internautas que polemizaram sobre um erro de português supostamente cometido pela filha dela, Sasha, que teria trocado um "c" por um "s" ao falar da "sena" que filmava numa tarde dessas. Antes, já havia ocorrido uma certa confusão pelo fato da apresentadora escrever tudo em caixa alta, o que a "netiqueta" condena, pois significa estar gritando. O jornalista Mauricio Stycer acompanhou bem o caso (veja a primeira parte ; veja a segunda parte).
O interessante é notar como as celebridades do mundo real têm dificuldades para viver no mundo virtual. Internet é meio terra de ninguém e não há formas eficientes de se proteger. É preciso ter muito espírito esportivo para lidar com as vozes contrárias, e isso muito famoso não tem mesmo, pois está sempre cercado pelo seu staff (seguranças, advogados, familiares, puxa-sacos), inútil na web.
Xuxa não foi a primeira celebridade a usar mal as ferramentas à disposição e não será a última. Mas é legal ver gente que acostumou a ter tudo de seu jeito tendo dificuldades em lidar com "meia dúzia" de maletas virtuais.
Redes sociais. Mais um termo incorporado até a raiz em nosso repertório. Montamos redes de amigos virtuais no Orkut, Facebook, MySpace. Seguimos blogueiros, seguimos twitteiros.
No caso das redes de amigos virtuais, muitas ligações são fracas, mas geralmente conhecemos todo mundo. Recados e mensagens têm peso quando realmente vêm de quem estamos próximos na vida real. Aí o virtual vira real e amizades se desfazem, namoros e casamentos se desmancham... Tudo por uma brincadeira mal colocada, uma ex-namorada que reaparece cheia de carinhos, um scrap recebdio por engano.
Mas em blogs e twitters a história é diferente, e não menos interessante. Normalmente seguimos quem gostamos, admiramos, e nem sempre conhecemos. Mas a relevância das mensagens é igualmente alta, pois leitores esperam por elas, querem lê-las, as usam para montar seus pontos de vista, se informam por elas. Quantas vezes um post descompromissado num blog alheio não nos provocou fervura sanguínea? E de repente a intenção do emissor da mensagem nem era esta. Como não quase sempre não o conhecemos, nos torturamos com a dúvida.
Quantas vezes você, usuário do twitter, ouviu de outro a frase "esse assunto bombou no Twitter ontem". E você pensando "nossa, não vi nada disso!". Os mais inseguros vão achar que seguem as pessoas erradas, mas na verdade este é o efeito superlativo da rede: como atribuímos muito valor a quem seguimos, nem reparamos se esta fonte tem relevância para cem ou mil seguidores, o que importa é que nós nos importamos. E cada palavra ganha peso inimaginável.
Talvez essa seja a beleza da coisa toda: os números por si só não são a medida certa para entendermos o peso de cada nó da rede.
Tem sido muito divertido ler em blogs e twitters a indignação contra a lei anti-fumo do governo de SP.
É engraçado, pois em vários lugares ditos "civilizados" do mundo, já é assim, tão intolerante como aqui. E não conheço nenhum fumante indignado por não poder fumar num café em Paris. Enfim...
A parte idiota da lei é o incentivo à caguetagem, ao dedo-durismo. Estratégia de regime totalitarista, me lembra o livro 1984. E multar o estabelecimento pelo mau comportamento do cidadão seria o mesmo que multar a prefeitura por infrações cometidas pelos motoristas no trânsito.
Interessante foi ver dois efeitos colaterais da lei: dezenas de pessoas fumando na calçada em frente ao bares/baladas, arriscando o estabelecimento a tomar multa por causa do barulho, e o imenso depósito de bitucas no chão da rua, o que só depõe contra o fumantes reclamões.
Andei confirmando a teoria de que dormir de barriga cheia é garantia de pesadelos.
Um deles ficou na minha cabeça por um dia inteiro, mas já o esqueci. O último foi de ontem para hoje, e acho que teve a influência de um papo que tive no almoço de dia dos pais sobre religiões.
Sonhei que a Naninha tinha entrado para uma seita religiosa que a obrigava a se isolar num sítio super bem equipado, até poderia receber visitas. Era algo meio mórmom, sei lá... Só sei que por algum motivo de que não me recordo agora, eu fui visitá-la e ela estava numa cadeira de rodas. Acordei tentando convencê-la a voltar para casa enquanto a carregava na cadeira de rodas dentro do mar! E estava fácil pra caramba, isso é que é engraçado...
Então aconteceu o que prevíamos e temíamos: primeiro caso de gripe suína na empresa. E no meu andar! Estranho é que todos dizem que o teste que confirma a tal gripe demora um pouco para ficar pronto. No caso, parece ter sido rápido demais. Será que já estão diagnosticando "no cheiro"? Fato é:
O fato é: RH pronunciou-se oficialmente. Quem teve contato direto com o paciente-zero quando este começou a ter sintomas de gripe está trabalhando de máscara cirúrgica. Álcool-gel à disposição em todos os banheiros. Cada espirro ou tossida gera olhares curiosos, piadinhas e um sentimento de "fodeu". Grávidas foram dispensadas por uma semana.
Nosso paciente-zero cometeu a proeza de jogar futebol quando já apresentava sintomas. Um dos que jogaram está com fortes sintomas de gripe, nem deu as caras hoje. Tomara que as medidas preventivas surtam algum efeito, senão será o caos total por aqui.
Reuniãozinha em casa, chamo bastante gente, que cada um traga quem quer.
Toca a campainha, vou até a porta. Amigo me espera com uma amiga, que não conheço.
- Opa, tudo bem, fulano?
- Tudo ótimo! Ah, essa é a fulana, aquela que trabalha no Consulado Americano.
- Oi, prazer?
- Prazer é meu.
Não os deixo entrar, ainda.
- O que você faz lá?
- Eu faço aquela entrevista final, em que concedo os visots.
- Nossa, poderosa sua amiga, não? (risos gerais) Então, olhando para você agora, estou achando que você é uma piranha que meu amigo contratou só para causar problema com minha mulher. Infelizmente, você não vai poder entrar. (em seguida, apontado para o amigo) E você está com ela, né? No VISA for you, too.