Essa história de ter filho tem me provocado um incessante resgate do passado, da minha infância, talvez tentando lembrar o máximo de situações vividas para saber o que fazer quando eu tiver de ajudar uma criança a tomar as próprias decisões.
É incrível como nosso cérebro é seletivo. Só as boas memórias permanecem. O que é ruim parece cair num processador que destrói ou ao menos ameniza as más sensações. Inteligente, nosso cérebro.
Tem sido muito gostoso lembrar de tantas coisas ocorridas no final da década de 70 e início da de 80. O tempo vai levando a inocência embora e ficamos cada vez mais exigentes. Um palito premiado de picolé Kibon já não muda nosso humor. Nem um ioiô da Coca-Cola. O que dizer de um figurinha de Futebol Cards?
Só a chegada do rebento faz isso tudo ter um valor imensurável e começamos a correr para lembrar e reviver tudo o que se passou na esperança de saber o que fazer quando o primeiro dia do resto das nossas vidas começar. Do jeito que as coisas vão, o meu começa sexta que vem.
Vou lembrar do dia em que comecei a andar de bicicleta sem rodinha e já volto.
O famoso autor de "O Código da Vinci" pode não ser um gênio da literatura, mas soube criar um estilo que prende a atenção, por ser fácil de ler, acessível a qualquer pessoa e ter um ótimo ritmo, com capítulos curtos e histórias que se desenvolvem em paralelo, fazendo com que não se consiga parar de ler. Parabéns para ele.
O problema é que ele também criou uma espécie de template para desenvolver suas histórias. É sempre a mesma coisa. Por isso, me arrisco a adivinhar como será seu novo livro, O Símbolo Perdido, a ser lançado em uma semana e já recordista em pré-venda na Amazon.com: começará com um crime em que o autor deixará marcas indecifráveis à primeira vista, mas facilmente reconhecíveis por um conhecedor de sociedades secretas históricas (a presença de Robert Langdon, o protagonista dos maiores sucessos dele já me ajudam na aposta) que será convidado a investigar paralelamente aos meios oficiais, tendo uma beldade inteligente qualquer ao seu lado e a concorrência dos investigadores oficiais que, entre eles, terá alguém relacionado ao crime/criminoso. Algum dos personagens próximos ao morto também estará envolvido na trama, que terminará de forma rocambolesca num grand finale eletrizante.
Fazia tempo que isso não acontecia, mas hoje, por causa da forte chuva que caiu em São Paulo pela manhã, demorei duas horas e meia para chegar ao trabalho. Sim, 2h30. Trânsito infernal, caminhos alternativos não funcionaram. O trânsito deu um nó, literalmente. Quando isso acontece, os motoristas acabam se atrapalhando. Ninguém pensa em melhorar a fluidez do tráfego, mas em tentar qualquer forma de se adiantar ao carro vizinho.
Mas o interessante foi passar por diversos cruzamentos normalmente bem vigiados pelos profissionais da Cia. de Engenharia de Tráfego e notar que não havia ninguém tentando organizar a bagunça. Será que estavam no trânsito? Será que são realmente de açúcar, derretem quando chove? Aí me lembro dos antigos projetos de semáforos inteligentes, até hoje no papel, e que poderiam ter ajudado a melhorar um pouco a situação de hoje. Também é evidente o mau planejamento de nossa enorme malha viária, com diversas conversões que exigem embaralhar o fluxo.
Aí me lembro de que a prefeitura diminuiu o gasto com limeza urbana e o lixo está bem aparente. Com o aguaceiro que caiu, muita coisa deve ter ido parar em bueiros, galerias subterrâneas, córregos, rios... Coincidência ou não, os rios Pinheiros e Tietê transbordaram. E olha que a calha do Tietê foi bastante rebaixada nos últimos anos.
E que pensar de estarmos em 2009 e, mesmo sabendo que a chuva está aí desde os primórdios, por que nada funciona direito quando chove? Mistééééério.
Agora quero ver a volta. O dia já virou noite duas vezes hoje, não estou com vontade de ficar preso dentro do carro de novo.
Por causa do trabalho tenho tido a excelente oportunidade de acompanhar "de dentro" a incessante troca de informações entre internautas. Vejo tanta coisa num dia que quando chega a noite, aquilo que vi pela manhã parece velho, velho.
A real é que hoje até que foi um dia meio fraco em virais e polêmicas, mas uma repórter norte-americana do site TechCrunch resolveu reclamar de não obter o visto para o Brasil e escreveu um artigo que gerou, claro, centenas de comentários, muitos deles já apagados, a xingando. Vale ler e dar boas risadas: Why TechCrunch Is Not Coming to Brazil After All
Brasileiro adora detonar quem fala mal do país, principalmente norte-americanos. Neste caso, a repórter foi um pouco exagerada, pois se atrasou para pedir o visto e depois contou com a grande capacidade de nossos serviços públicos não funcionarem direito. Os comentários que sobraram até que está equilibrados, e é incrível como muitos estrangeiros não aprovam o artigo, que tem alguns toques preconceituosos, mas nada demais. Apenas um artigo mal escrito de alguém frustrado. Deve ter mais repercussão nesta sexta-feira. No Twitter, bombou.
Vou tentar fazer um resumão deste num dia mais movimentado para ver o que sai. Hora de ir pra caminha.
Update: eu tinha deixado passar este: People of Walmart, um site com imagens dos mais pitorescos clientes do famoso supermercado norte-americano. Vale muito a visita.